Mensagem de Natal da Câmara Episcopal



O Natal é a festa do amor de Deus encarnado, o Deus-Emanuel, Deus conosco, que se fez humano e habitou entre nós e em nós. Celebrar o Natal é celebrar o Deus Emanuel, Deus conosco. É celebrar o Deus de Amor que se fez humanidade.


E o Amor de Deus não pode ser reduzido a belas liturgias e muito menos a conceitos bem elaborados. O Amor de Deus é para ser experimentado, vivido, compartilhado. O Amor de Deus torna-se visível na vida digna e abundante.


Neste Natal Deus nos convida, de novo, seu convite é reiterado continuamente, a experimentarmos e vivenciarmos a força do amor, que transforma e liberta. Que destrói muros e constrói pontes, que renuncia a violência e chama a todas à paz, à fraternidade, à solidariedade e à prática da justiça.


Há muitas situações nas famílias, na sociedade, em nosso país e no mundo que necessitam da força transformadora do Amor.


Se reconhecemos que Jesus criança é o amor de Deus presente no meio de nós e em nós, estaremos comprometidos(as) com esse amor, pois há dois mandamentos fundamentais: amar a Deus acima de tudo e as demais pessoas como amamos a nós. Deus é amor…amemo-nos mutuamente. Deus amou o mundo por isso enviou Jesus.


Nesse Natal, convidamos a voltar nosso olhar a quem tem fome – Jesus inaugurou o Reino de Deus que produz paz como fruto da justiça. A fome afronta a justiça e a dignidade da vida humana. O Amor fica indignado diante dessa situação e é a força motora para nosso testemunho profético e ação solidária. Celebrar o Natal nos impele a partilha do alimento para minimizar o impacto da fome das mais de 19 milhões de pessoas, nossas irmãs. Nos impele à denúncia profética de que a fome é uma afronta a Deus e às suas criaturas.


Nesse Natal, convidamos a voltar nosso olhar às mulheres. A figura de Maria, mãe de Jesus, comove e leva muitas pessoas às lágrimas. Contudo, ela aponta para a realidade das adolescentes grávidas, rejeitadas e excluídas, julgadas e desamparadas. Maria aponta para a situação e realidade da mulher em nossa sociedade hoje, que sofre todo tipo de violência, que é morta por razões fúteis e por inconformidade machista, que não aceita a mulher como pessoa humana livre, autônoma, que pode auto determinar-se. O Amor de Deus que habita em nós, atua para a inconformidade diante dessa realidade e nos impele a participar do processo de transformação, para o respeito, a acolhida, cuidado e superação do machismo.


Nesse Natal, convidamos a voltar nosso olhar às crianças que, juntamente com as mulheres, são as que mais sofrem com a fome e todo tipo de violência. “quem quiser entrar no Reino de Deus, seja como uma criança” é a palavra de Jesus para nós. De pastores a Reis Magos todos foram ver, admirar e adorar a criança recém-nascida. Olhar para a Manjedoura, recordar Jesus criança nos compromete diretamente com as crianças do presente.


Nesse Natal, convidamos para voltar nosso olhar para os/as imigrantes. Maria, José e Jesus precisaram emigrar para o Egito, para fugir da fúria e violência do representante do Estado. Jesus se identificou e se identifica com os/as milhões de imigrantes e migrantes de nosso mundo. Todos os países e sociedades têm sido construídos com uma multiplicidade de etnias, contudo, não poucas vezes, com violência, opressão, escravidão. Nessa peregrinação em fuga de guerras, violência e fome os/as imigrantes carregam a esperança de um lugar melhor para viverem, mas, em muitos lugares, encontram rejeição, humilhação ou confinamento em campos de refugiados(as). O Amor de Deus nos constrange a acolhermos a todas as pessoas, especialmente as mais fragilizadas e vulneráveis.


Nesse Natal, convidamos para voltar nosso olhar às pessoas LGBTQIA+ que sofrem a irracional violência do país que mais mata pessoas por causa da sua sexualidade.

Convidamos também a olharmos aos povos indígenas e quilombolas, desrespeitados em sua cultura e seu habitat. A também olharmos as pessoas negras e pobres, vítimas do racismo estrutural, exclusão e violência social e econômica.


Nesse Natal, somos convidadas a renovarmos nosso compromisso com a criação de Deus. O caminho da destruição ambiental leva a morte. O convite de Jesus é para que tenhamos vida, e vida abundante.


O amor de Deus nos anima a erguer nossa voz para denúncia e anúncio, proclamando que “Nasceu para nós um Salvador”. O Reino de Deus foi inaugurado. Um novo mundo é possível.


A celebração da festa de Natal só terá sentido se experimentarmos e vivenciarmos esse amor. E isso precisa, necessariamente ser transformado em gesto, em ação concreta. Pois, em verdade, o Amor solidário e fraterno não se proclama, se vive.


“Pai materno, que nos deste teu unigênito Filho para que tomasse sobre si a nossa natureza, e nascesse, neste tempo, de uma Virgem pura; concede que nós, feitos teus filhos e filhas por adoção e graça, tenhamos de dia em dia a renovação do teu Santo Espírito; mediante nosso Senhor Jesus Cristo, que vive e reina contigo e com o Espírito Santo, um só Deus, agora e sempre. Amém.” (Coleta Natividade de Nosso Senhor Jesus Cristo, LOC pág. 423)


Câmara Episcopal


Bispo Naudal Alves Gomes, Primaz

Bispo Maurício Andrade, Diocese Anglicana de Brasília

Bispo Francisco de Assis da Silva, Diocese Sul- Ocidental

Bispo Humberto Maiztegui, Diocese Meridional

Bispo João Câncio Peixoto, Diocese Anglicana de Recife

Bispo Eduardo Coelho Grillo, Diocese Anglicana do Rio de Janeiro

Bispa Marinez Rosa dos Santos Bassotto, Diocese Anglicana da Amazônia

Bispa Meriglei Borges Silva Simim, Diocese Anglicana de Pelotas

Bispo Francisco Cézar Fernandes Alves, Diocese Anglicana de São Paulo

Bispa Magda Guedes Pereira, Diocese Anglicana do Paraná

Bispo Clóvis Erly Rodrigues, Emérito

Bispo Almir dos Santos, Emérito

Bispo Celso Franco, Emérito

Bispo Jubal Pereira Neves, Emérito

Bispo Filadelfo de Oliveira, Emérito

Bispo Renato Raazt, Emérito

Bispo Flávio Borges Irala, Emérito

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