Uma Proposta de Unidade, apesar da Diversidade! Chamado de Lambeth para o Ecumenismo
- dasp.comunicacao

- 18 de jul.
- 4 min de leitura

Por Rev. Daniel Rangel
Introdução
Contexto Histórico
A relação da Comunhão Anglicana com o movimento ecumênico internacional é profunda, histórica e identitária. Desde o século XIX, o anglicanismo costuma se autocompreender como uma via media (um caminho do meio) entre a tradição católica e os princípios da Reforma Protestante. Essa característica única deu aos anglicanos uma vocação natural para atuar como "pontes" no diálogo entre diferentes igrejas cristãs.
Iremos mostrar os momentos mais marcantes dessa trajetória que ajudou a moldar o ecumenismo global e anglicano.
O Quadrilátero Chicago-Lambeth
Antes mesmo do surgimento de um movimento ecumênico moderno no século XX, os anglicanos estabeleceram as bases teológicas para o diálogo. Em 1888, a Conferência de Lambeth adotou oficialmente o Quadrilátero de Chicago. Este documento estabeleceu quatro pontos inegociáveis para qualquer esforço de unidade visível entre as igrejas: A - As Sagradas Escrituras como regra e padrão final de fé. B - Os Credos Apostólico e Niceno como declarações suficientes da fé cristã. C - Os Sacramentos do Batismo e da Eucaristia, administrados com as palavras e elementos instituídos por Cristo. D - O Episcopado Histórico, adaptado localmente às necessidades da Igreja.
Os Anglicanos nos marcos do Ecumenismo
A participação anglicana avançou de propostas teóricas para ações práticas que transformaram o cenário religioso global.
1ª. Conferência Missão - Edimburgo, 1910. Conferência Missionária Mundial reunida na capital escocesa em Edimburgo em 1910, é considerada o ponto de partida do movimento ecumênico moderno. Líderes anglicanos (como o bispo episcopal Charles Brent) tiveram papel destacado. A partir dali, os anglicanos lideraram a criação do movimento Fé e Ordem, focado em resolver divergências doutrinárias entre as igrejas.
2ª. O Apelo a Todo o Povo Cristão, 1920. A Conferência de Lambeth de 1920 emitiu um documento histórico chamado “Apelo a Todo o Povo Cristão”. Foi um chamado direto e caloroso para a unidade de todos os batizados, mudando o tom institucional de isolamento para uma busca ativa por reconciliação mundial.
3ª. Fundação do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), 1948. Os anglicanos participaram ativamente da fundação do CMI em Amsterdã. Teólogos, bispo e Arcebispos anglicanos (incluindo Geoffrey Fisher, Arcebispo de Cantuária na época) ajudaram a redigir as bases organizacionais do conselho, que uniu igrejas protestantes, anglicanas e ortodoxas.
4ª. Aproximação com Roma e a Criação da ARCIC, 1966. Após o Concílio Vaticano II, o Arcebispo de Cantuária, Michael Ramsey, fez uma visita oficial ao Papa Paulo VI no Vaticano. O encontro resultou na criação da ARCIC (Comissão Internacional Anglicano-Católica Romana), dando início a um dos diálogos bilaterais mais profundos e teologicamente ricos da história da Igreja.
5ª A Comunhão de Porvoo, 1992. Consolidando o ecumenismo prático, a assinatura do Acordo de Porvoo estabeleceu a plena comunhão entre as igrejas anglicanas das Ilhas Britânicas e as igrejas luteranas dos países nórdicos e bálticos, permitindo a partilha de sacramentos e o intercâmbio do clero (Partes das Províncias da Igreja Evangélica da Alemanha assinaram o Acordo).
Fora alguns acordos bilaterais de comunhão total que vem acontecendo entre igrejas anglicanas e igrejas filhas da reforma (Igreja da Escócia, Igreja Metodistas, Igreja Moravia e Luteranas da América do Norte)
Caso peculiar das Igrejas da Índia que é a junção de anglicanos, luteranos, presbiterianos e metodistas
Igreja MarThoma, Igreja Ceilão, Igreja de Bangladesh
A propostas de Lambeth 2022
4º Chamado de Lambeth: Unidade na Diversidade
1. Um chamado à ação
O texto nos chama como anglicanos a provocar os Instrumentos da Comunhão, as Igrejas e o povo anglicano para se engajara e construir um caminho mais visível e relevantes entre as comunidades cristãs existentes.
1.2 Renovar seu compromisso com a busca urgente da unidade plena e orgânica da Igreja;
1.3 Receber e levar adiante os frutos de nossas relações ecumênicas;
1.3 Construir relações fortes e estreitas com as outras Igrejas em suas províncias;
1.4 Buscar a reconciliação e a unidade mesmo dentro da família anglicana de Igrejas, reconhecendo que os desentendimentos dentro da Comunhão Anglicana levaram à criação de igrejas e grupos separados dos quais, embora permanecendo dentro da mesma tradição anglicana, estamos divididos;
1.5 Trabalhar com nossos irmãos e irmãs em outras Igrejas na missão de proclamar a boa-nova de Cristo e responder às necessidades do mundo;
1.6 Falar com, para e em nome dos irmãos e irmãs que sofrem perseguição, pois, quando uma parte do corpo sofre, todo o corpo sofre com ela;
1.7 Vislumbrar o que há de melhor nas outras pessoas e buscar o que podemos receber das riquezas das tradições que não as nossas;
1.8 Buscar oportunidades de diálogo para superar diferenças teológicas e eclesiológicas que permanecem como barreiras para a comunhão plena e visível da Igreja de Cristo em nível local, regional e mundial; estabelecer relações formais de comunhão com outras Igrejas onde for possível e trabalhar para cumprir o objetivo da unidade plena e orgânica.
2. Um convite ecumênico
O documento Fé e Ordem do Conselho Mundial de Igrejas intitulado A Igreja: Uma Visão Ecumênica descreve o trabalho ecumênico como um chamado às Igrejas para “unidade na fé, unidade na vida sacramental e unidade no serviço” (§ 67). Com este espírito, convidamos nossas parceiras ecumênicas a:
2.1 Nos ajudar a compreender a profundidade e a diversidade da vida em Cristo, e o que podemos aprender uns/umas com os/as outros/as;
2.2 Convidar suas Igrejas Anglicanas próximas a compartilhar com elas iniciativas locais para proclamar o evangelho, renovar a vida da Igreja e servir a sociedade para o bem comum;
2.3 Trabalhar conosco para compartilhar as riquezas de nossa herança comum de fé e os dons distintos que Deus nos concedeu em nossas histórias e experiências individuais (ver 1 Pedro 4.10);
2.4 Juntar uns com os outros na busca dos passos que conduzem à unidade plena e orgânica;
2.5 Em gratidão pelas conquistas do movimento ecumênico, exortamos uns aos outros a levar a sério o esforço ecumênico em nossas vidas e ministérios, lembrando sempre de que Nosso Senhor orou, ele próprio, para que todos sejam um (João 17:21).
3. Implementação
3.1 A tarefa de incentivar e monitorar a implementação deste chamado dentro das Igrejas membros e dos Instrumentos da Comunhão cabe principalmente ao Conselho Consultivo Anglicano (ACC), trabalhando através da Comissão Permanente Inter-Anglicana sobre Unidade, Fé e Ordem (IASCUFO) e do Escritório da Comunhão Anglicana;
3.2 Pedimos ao ACC e ao Secretário-Geral que assegurem a disponibilização de recursos adequados para permitir esta tarefa;
3.3 Convidamos a IASCUFO a monitorar e supervisionar o progresso de iniciativas e fornecer atualizações regularmente ao ACC;
3.4 Convidamos as igrejas-membro a fornecer atualizações regularmente à IASCUFO, através do Departamento de Unidade, Fé e Ordem do ACO, sobre os desenvolvimentos e desafios neste trabalho.





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